{"id":1142,"date":"2013-03-25T20:40:56","date_gmt":"2013-03-26T03:40:56","guid":{"rendered":"https:\/\/phenomenologyblog.com\/?p=1142"},"modified":"2013-06-24T16:13:25","modified_gmt":"2013-06-24T23:13:25","slug":"phenomblog-em-portugues-ser-um-eu-significa-ser-unico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/phenomenologyblog.com\/?p=1142","title":{"rendered":"PhenomBlog em Portugu\u00eas: Ser um \u2018eu\u2019 significa ser &#8216;\u00fanico&#8217;?"},"content":{"rendered":"<span class=\"fb_share\"><fb:like href=\"https:\/\/phenomenologyblog.com\/?p=1142\" layout=\"button_count\"><\/fb:like><\/span><p><a href=\"https:\/\/phenomenologyblog.com\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/Photo-on-2011-08-08-at-15.47-41.jpg\" rel='prettyPhoto[gallery1]'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-356\" alt=\"Photo on 2011-08-08 at 15.47 #4\" src=\"https:\/\/phenomenologyblog.com\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/Photo-on-2011-08-08-at-15.47-41-150x150.jpg\" width=\"150\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/phenomenologyblog.com\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/Photo-on-2011-08-08-at-15.47-41-150x150.jpg 150w, https:\/\/phenomenologyblog.com\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/Photo-on-2011-08-08-at-15.47-41-85x85.jpg 85w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>I&#8217;m happy to expand the linguistic diversity of our blog with this post of mine in Portuguese, which I offer with deep gratitude to the colleagues who volunteered to translate it:<\/p>\n<p>Eu ensino uma introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica para estudantes de doutorado que dura um ano. Muitos dos meus alunos s\u00e3o psicoterapeutas ou est\u00e3o em processo de tornarem-se licenciados, e eu freq\u00fcentemente me deparo com as duas hip\u00f3teses\/suposi\u00e7\u00f5es seguintes:<\/p>\n<p>1. N\u00f3s compreendemos mais profundamente a pessoa individual quando entendemos o que faz com que a sua experi\u00eancia psicol\u00f3gica seja <i>\u00fanica<\/i>, e<\/p>\n<p>2. Isto \u00e9 assim porque o car\u00e1ter \u00fanico de uma pessoa \u00e9 a pr\u00f3pria ess\u00eancia de sua humanidade.<\/p>\n<p><b>Falando a partir da fenomenologia&#8230;<\/b><\/p>\n<p>Primeiro, com base na minha perspectiva como um psic\u00f3logo<a href=\"http:\/\/plato.stanford.edu\/entries\/phenomenology\/\"> fenomenol\u00f3gico<\/a>, as duas hip\u00f3teses acima negligenciam a matriz intersubjetiva dentro da qual todos os significados humanos surgem. <a href=\"http:\/\/books.google.com\/books?id=1xyASJdxbLkC&amp;dq=merleau+ponty+intersubjectivity&amp;source=gbs_navlinks_s\">Lau Kwok-Ying <\/a>oferece uma boa discuss\u00e3o desses temas na obra de <a href=\"http:\/\/plato.stanford.edu\/entries\/merleau-ponty\/\">Merleau-Ponty<\/a>. Em suma, a express\u00e3o do que n\u00f3s chamamos de &#8220;individualidade&#8221; \u00e9 <i>sempre<\/i> dependente de e enraizada em significados compartilhados \u2013 caso contr\u00e1rio, as express\u00f5es psicologicamente ricas dos indiv\u00edduos seriam incompreens\u00edveis para os outros.<\/p>\n<p>Fenomen\u00f3logos reconhecem que os significados psicol\u00f3gicos s\u00e3o vividos pessoalmente, e muitas vezes s\u00e3o expressados em formas \u00fanicas. O ser humano individual \u00e9 valorizado, \u00e9 claro. Ao mesmo tempo, a nossa humanidade n\u00e3o \u00e9 um atributo <i>relacional<\/i> \u2013 parte e parcela de pertencer a uma comunidade de outros \u2013 ao inv\u00e9s de minha posse solit\u00e1ria? L\u00edngua, valores, esperan\u00e7as, medos \u2013 todos estes s\u00e3o vividos em rela\u00e7\u00e3o a um mundo de outros e no meio deste mundo. Nenhum deles s\u00e3o experienciados em estrito isolamento dos outros, muito menos criados \u2018sui generis\u2019 por um indiv\u00edduo isolado.<\/p>\n<p>Assim, mesmo no meio de uma crise de depress\u00e3o, na qual a pessoa talvez se sinta totalmente isolada dos outros e se desespere em conectar-se com qualquer um \u2013 ainda que este ainda seja um fen\u00f4meno <i>relacional<\/i> \u2013 somente o <i>significado<\/i> dos outros para o sofredor inclui um senso doloroso e isolado de inacessibilidade.<\/p>\n<p>A partir desta perspectiva, quando estamos compreendendo a experi\u00eancia do outro, n\u00f3s estamos fazendo isso porque n\u00f3s somos capazes de captar, de uma maneira fundamental, o significado intersubjetivo (compartilhado) do que est\u00e1 sendo vivido por essa pessoa, embora em sua pr\u00f3pria maneira.<\/p>\n<p>Em outras palavras, no caso de uma condi\u00e7\u00e3o como a referida pelo diagn\u00f3stico &#8220;Transtorno de Estresse P\u00f3s-traum\u00e1tico&#8221; \u2013 PTSD, n\u00f3s absolutamente queremos entender como o indiv\u00edduo est\u00e1 experimentando a condi\u00e7\u00e3o, porque esta pode ser vivida de formas arrogantemente\/ importantemente diferentes por pessoas diferentes.<\/p>\n<p>Mas note que h\u00e1 um &#8220;algo&#8221;, em primeiro lugar, que est\u00e1 sendo vivido diferentemente \u2013 em outras palavras, n\u00f3s aceitamos como verdadeiro que o diagn\u00f3stico &#8220;PTSD&#8221; \u00e9 uma forma de apontar para uma constela\u00e7\u00e3o de fen\u00f4menos ps\u00edquicos que podem ser <i>descritos<\/i>.<\/p>\n<p>Precisamente porque pode ser reconhecido e compreendido como um fen\u00f4meno \u00e0 parte dos fatos emp\u00edricos espec\u00edficos de cada experi\u00eancia individual de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico, n\u00f3s somos capazes de reconhecer as maneiras nas quais o PTSD se manifesta de diferentes formas e requer diferentes respostas cl\u00ednicas sutis.<\/p>\n<p>Meu ponto \u00e9 que se negligenciarmos o fen\u00f4meno de PTSD em si mesmo, ou tomarmos os crit\u00e9rios do manual de diagn\u00f3stico como de certo modo auto-evidentes, n\u00e3o hist\u00f3ricos, e sem exigir reflex\u00e3o adicional, ent\u00e3o teremos efetivamente medicalizado a condi\u00e7\u00e3o da pessoa individual: concretizado-a, objetivado-a, e tornado-a um \u201cproblema\u201d totalmente compreendido a ser mecanicamente &#8220;tratado&#8221;. Ao inv\u00e9s do qu\u00ea? Ao inv\u00e9s de investigar o significado daquilo que est\u00e1 sendo vivido pelo indiv\u00edduo como uma experi\u00eancia intersubjetivamente significativa \u2013 n\u00e3o meramente uma experi\u00eancia idiossincr\u00e1tica \u00fanica \/ exclusiva.<\/p>\n<p>Reconhecendo a dimens\u00e3o intersubjetiva da experi\u00eancia do outro realmente nos libera para discernir o que \u00e9 <i>particular e \u00fanico<\/i> na forma como isto est\u00e1 sendo vivido por aquele indiv\u00edduo.<\/p>\n<p><b>Cr\u00edtica \u00e0 psicologia cultural<\/b><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/phenomenologyblog.com\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/Brikis.jpeg\" rel='prettyPhoto[gallery1]'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-723\" alt=\"Brikis\" src=\"https:\/\/phenomenologyblog.com\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/Brikis-300x200.jpeg\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/phenomenologyblog.com\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/Brikis-300x200.jpeg 300w, https:\/\/phenomenologyblog.com\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/Brikis-150x100.jpeg 150w, https:\/\/phenomenologyblog.com\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/Brikis.jpeg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>As suposi\u00e7\u00f5es geminadas acima identificadas s\u00e3o, atrav\u00e9s da lente da psicologia cultural, flagrantemente limitadas pela cultura. Embora fosse ing\u00eanuo afirmar que h\u00e1 fronteiras absolutas entre &#8220;culturas&#8221;, mesmo assim deveria ser evidente que a valoriza\u00e7\u00e3o da individualidade \u00e9, acima de tudo, razoavelmente uma perspectiva exclusivamente &#8220;ocidental&#8221; e, talvez, em alguns aspectos, at\u00e9 mesmo uma perspectiva exclusivamente anglo-sax\u00f4nica.<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s de ver isso como um fen\u00f4meno meramente &#8220;cultural&#8221; (a palavra &#8220;cultura&#8221; soa, de certo modo, inocente e sem questionamento!), n\u00f3s tamb\u00e9m poder\u00edamos considerar que o individualismo pode igualmente encarnar uma <i>ideologia<\/i>, algo que <a href=\"http:\/\/books.google.com\/books\/about\/Constructing_the_Self_Constructing_Ameri.html?id=0W_uFF1oBn4C\">Philip Cushman argumentou brilhantemente<\/a> em seu livro <i>Constructing the Self, Constructing America: A Cultural History of Psychotherapy<\/i>. E, como <a href=\"http:\/\/www.charlierose.com\/view\/interview\/11966\">Slavoj Zizek<\/a> observou, uma ideologia \u00e9 caracterizada <i>precisamente<\/i> pelo fato de que as suas suposi\u00e7\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o onipresentes que nunca s\u00e3o reconhecidas <i>como<\/i> suposi\u00e7\u00f5es. Como educadores, n\u00f3s devemos isso aos nossos alunos; levantar essas quest\u00f5es neles.<\/p>\n<p>Para demonstrar o que eu quero dizer a respeito da vis\u00e3o individualista ser culturalmente espec\u00edfica, deixe-me esbo\u00e7ar tr\u00eas ideais alternativos a respeito do ser humano essencial: Eu vou referenciar concep\u00e7\u00f5es da pessoa humana extraidas das tradi\u00e7\u00f5es Judaica, Isl\u00e2mica e Tao\u00edsta. Tr\u00eas tradi\u00e7\u00f5es de pensamento espiritual s\u00e3o mencionadas a fim de indicar como outros ideais culturais colocam muito menos \u00eanfase na import\u00e2ncia da singularidade individual como um fim em si mesmo, ou como incorporando o valor de primazia de uma pessoa.<\/p>\n<p>Uma ressalva \u2013 Eu n\u00e3o quero sugerir que esses ideais sejam monol\u00edticos, un\u00edvocos, ou aceitos, ou percebidos por todos os membros das respectivas comunidades. No entanto, s\u00e3o os pontos de vista que moldaram significativamente as suas culturas circundantes. O que segue s\u00e3o miniaturas, a minha tentativa de transmitir uma no\u00e7\u00e3o dessas diversas vis\u00f5es de mundo e desses arqu\u00e9tipos culturais.<\/p>\n<p><b>Mentschlekhkeyt<\/b><b><br \/>\n<\/b><\/p>\n<p>Na cultura judaica Ashkenazi, talvez n\u00e3o haja nenhuma gl\u00f3ria\/honra maior do que ser chamado de um \u201c<i>mensch<\/i>\u201d. <i>Mensch<\/i>, literalmente, significa simplesmente &#8220;Um ser humano&#8221;; que implica ser um ser humano genu\u00edno, ou um ser humano real. \u00c9 em certo sentido o <i>oposto exato<\/i> de ser especial ou \u00fanico \u2013 de certa forma, <i>mentschlekhkeyt<\/i> (literalmente, ser um mensch, &#8220;mensch-ness&#8221;) significa que ser um ser humano real \u00e9 o mais alto que qualquer pessoa pode aspirar. Quer dizer: neste contexto cultural, perceber a pr\u00f3pria normalidade\/ordinariedade absoluta \u00e9 um ideal. A partir desta perspectiva, o que nos torna mais humanos \u00e9 o que nos unifica com os outros, n\u00e3o o que nos torna singularmente diferentes e &#8220;especiais&#8221;. O <a href=\"http:\/\/www.huffingtonpost.com\/norman-lear\/mamaloshen-a-church-for-p_b_480896.html\">Editorial de Norman Lear: &#8220;A Church for People Like Us\u201d<\/a> \u00e9 uma exemplifica\u00e7\u00e3o brilhante de <i>mentschlekhkeyt<\/i> em a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_1148\" style=\"width: 233px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/phenomenologyblog.com\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Martin-Buber.jpg\" rel='prettyPhoto[gallery1]'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1148\" class=\"size-medium wp-image-1148\" alt=\"Martin Buber\" src=\"https:\/\/phenomenologyblog.com\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Martin-Buber-223x300.jpg\" width=\"223\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/phenomenologyblog.com\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Martin-Buber-223x300.jpg 223w, https:\/\/phenomenologyblog.com\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Martin-Buber.jpg 595w\" sizes=\"auto, (max-width: 223px) 100vw, 223px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1148\" class=\"wp-caption-text\">Martin Buber<\/p><\/div>\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o (percep\u00e7\u00e3o\/compreens\u00e3o) sentida de <i>mensch<\/i>, em termos psicol\u00f3gicos, \u00e9 completamente contr\u00e1ria \u00e0 auto-import\u00e2ncia ou preciosidade. Em vez disso, \u00e9 humilde \u2013 inevitavelmente assim! Maurice Friedman menciona a <a href=\"http:\/\/books.google.com\/books?id=yOp5uXpqEb4C&amp;printsec=frontcover#v=onepage&amp;q&amp;f=false\">recorda\u00e7\u00e3o de Martin Buber do conto popular judaico<\/a>, que diz que o Messias t\u00e3o esperado j\u00e1 est\u00e1 de fato presente na terra, esperando na forma de um mendigo que sofre de lepra (oy!) e sentado l\u00e1 pelas portas de Roma, despercebido no meio do povo de rua. Em outras palavras, no conto popular, o Messias j\u00e1 est\u00e1 aqui, mas \u00e9 ignorado porque ele \u00e9 irreconhec\u00edvel entre os membros da sociedade mais humildes, pobres e fisicamente repugnantes. Da mesma maneira, o <i>mensch<\/i> \u00e9, em certo sentido, completamente banal [que n\u00e3o \u00e9 singular], <i>precisamente<\/i> porque ele ou ela \u00e9 plenamente humano\/a e sujeito \u00e0s fraquezas humanas.<\/p>\n<p><b>Al-insan al-Kamil<\/b><\/p>\n<p>No Sufismo cl\u00e1ssico, o caminho m\u00edstico do Islam, a frase <i>al-insan al-Kamil<\/i> \u00e9 usada para designar &#8220;o ser humano conclu\u00eddo&#8221;. Pode-se dizer que, no Sufismo de <a href=\"http:\/\/plato.stanford.edu\/entries\/ibn-arabi\/\">Ibn al Arabi<b> <\/b><\/a>(1165-1240), o ideal de inteireza \/ perfei\u00e7\u00e3o humana \u00e9 representado n\u00e3o como o de alcan\u00e7ar um elevado n\u00edvel, supremo e fixo, de realiza\u00e7\u00e3o espiritual, mas, em vez disso, <a href=\"http:\/\/books.google.com\/books?id=cVFDIPIv3ZgC&amp;printsec=frontcover#v=onepage&amp;q&amp;f=false\">como observa Sachiko Murata<\/a>, como o de quem habita um &#8220;ponto de vista de nenhum ponto de vista&#8221;: ele ou ela \u00e9 uma &#8220;pessoa de nenhuma esta\u00e7\u00e3o [fixa]&#8221;. Ou seja, eles est\u00e3o em constante mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>De acordo com a tradi\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica esta transpar\u00eancia ao divino \u00e9 o resultado das aniquila\u00e7\u00f5es\/oblitera\u00e7\u00f5es da identidade distinta da pessoa, mudan\u00e7as que s\u00e3o mediadas pelo relacionamento amoroso dos seres humanos com o relacionamento com Deus (tais pessoas s\u00e3o chamadas de &#8220;<a href=\"http:\/\/books.google.com\/books\/about\/God_s_unruly_friends.html?id=o0XYAAAAMAAJ\">amigos de Deus<\/a>&#8220;. Freq\u00fcentemente citado pelos Sufis, neste contexto, \u00e9 o <i>hadith <\/i>(uma declara\u00e7\u00e3o atribu\u00edda ao Profeta) no qual Deus diz:<\/p>\n<p>&#8220;Meu servo continua a aproximar-se de mim com obras supererogat\u00f3rias para que Eu o ame. Quando Eu o amo Eu sou a sua audi\u00e7\u00e3o com a qual ele ouve, a sua vis\u00e3o com a qual ele v\u00ea, a sua m\u00e3o com a qual ele golpeia e o seu p\u00e9 <a href=\"http:\/\/books.google.com\/books?id=5jHYAAAAMAAJ&amp;dq=inauthor:%22%CA%BBIzz+al-D%C4%ABn+Ibr%C4%81h%C4%ABm%22&amp;hl=en&amp;sa=X&amp;ei=6uX8TpWuIoqliQLuh9jPDg&amp;ved=0CEQQ6AEwAw\">com o qual ele anda<\/a>.&#8221;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/phenomenologyblog.com\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Arabic-cupola-calligraphy.jpg\" rel='prettyPhoto[gallery1]'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-1150\" alt=\"Arabic cupola calligraphy\" src=\"https:\/\/phenomenologyblog.com\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Arabic-cupola-calligraphy-300x199.jpg\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/phenomenologyblog.com\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Arabic-cupola-calligraphy-300x200.jpg 300w, https:\/\/phenomenologyblog.com\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Arabic-cupola-calligraphy-150x100.jpg 150w, https:\/\/phenomenologyblog.com\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Arabic-cupola-calligraphy.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A express\u00e3o paradigm\u00e1tica disto ocorre no verso 8:27 do Qur\u2019an; uma descri\u00e7\u00e3o de uma batalha fazendo refer\u00eancia a um incidente no qual diz-se que o Profeta tenha atirado uma pedra que dispersara as tropas inimigas. O pr\u00f3prio vers\u00edculo diz, em parte, &#8220;que n\u00e3o foi voc\u00ea que atirou, quando voc\u00ea atirou, mas foi Deus quem atirou.&#8221; Em outras palavras, a a\u00e7\u00e3o her\u00f3ica em si mesma n\u00e3o pertence nem mesmo ao Profeta mais venerado no Islam.<\/p>\n<p>Este tema \u00e9 um longo t\u00f3pico familiar na literatura Sufi cl\u00e1ssica: quanto mais completos os seres humanos individuais s\u00e3o, tanto mais &#8220;vazios&#8221; eles est\u00e3o em um certo aspecto, porque eles est\u00e3o aniquilados \/ obliterados em seu Senhor. Mas, ao mesmo tempo, (e aqui est\u00e1 a ponte, pelo menos em algumas vers\u00f5es do Sufismo, com <i>mensch<\/i>) tanto mais humanos eles s\u00e3o. Como um ideal cultural de servid\u00e3o, isto representa uma &#8220;redu\u00e7\u00e3o&#8221; do indiv\u00edduo em face de algo maior, e \u00e9 precisamente atrav\u00e9s deste servi\u00e7o (as palavras \u00e1rabes cl\u00e1ssicas para servo:<i>\u2018abd<\/i>, e para culto:<i>&#8216; ibadah,<\/i> ambas v\u00eam da mesma raiz) que o ser humano individual encontra a sua dignidade e o seu prop\u00f3sito. Assim, a servid\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao outro, em vez da individualidade \u00fanica, \u00e9 mais valorizada aqui.<\/p>\n<p><b>Sh\u00eang j\u00ean<\/b><\/p>\n<p>Nos textos tao\u00edstas de <a href=\"http:\/\/books.google.com\/books?id=dpFnYhV_ghIC&amp;dq=chuang+tsu&amp;source=gbs_navlinks_s\">Chuang-tsu<\/a> (369 \u2013 298 aC) a seguinte descri\u00e7\u00e3o \u00e9 dada a respeito da pessoa \u201caut\u00eantica\u201d ou &#8220;verdadeira&#8221; (Sh\u00eang j\u00ean), aqui traduzido como &#8220;o verdadeiro homem&#8221;:<br \/>\n&#8220;Qual \u00e9 o verdadeiro homem? O verdadeiro homem de outrora n\u00e3o se op\u00f4s \u00e0 minoria, n\u00e3o lutou por conquistas her\u00f3icas, e n\u00e3o maquinou\/tramou nos neg\u00f3cios \/ transa\u00e7\u00f5es. Sendo esse o caso, n\u00e3o se arrependeu \/ lamentou quando ele cometeu um erro, nem se sentiu orgulhoso quando ele estava certo&#8230; o verdadeiro homem de outrora \u2013<\/p>\n<p>Foi elevando-se em estatura, mas nunca entrou em colapso;<\/p>\n<p>Parecia insuficiente, mas n\u00e3o aceitava nada;<\/p>\n<p>Friamente independente, mas n\u00e3o obstinado;<\/p>\n<p>Amplamente vazio, mas sem ostenta\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>Agrad\u00e1vel\/divertido como se ele fosse feliz;<\/p>\n<p>Contrariado como se estivesse for\u00e7ado;<\/p>\n<p>Expandido com um charme encantador;<\/p>\n<p>Dotado de uma integridade impressionante;<\/p>\n<p>Austero\/inflex\u00edvel, como se ele fosse mundano;<\/p>\n<p>Arrogante como se ele fosse incontrol\u00e1vel;<\/p>\n<p>Reticente\/reservado, como se ele preferisse se calar\/fechar;<\/p>\n<p>Distra\u00eddo como se ele esquecesse o que dizer&#8230;&#8221; (pp. 52-53)<\/p>\n<p>A imagem da pessoa verdadeira \u00e9 <i>extraordinariamente comum<\/i> (n\u00e3o singular) e, a partir de uma perspectiva americana, \u00e9 inexpressiva (n\u00e3o impressionante). Este n\u00e3o \u00e9, obviamente, algu\u00e9m interessado em &#8220;comercializar&#8221; ou &#8220;estigmatizar&#8221; a si mesmo! Pelo contr\u00e1rio, essa pessoa parece estar em necessidade, e ser at\u00e9 um pouco desagrad\u00e1vel pelos padr\u00f5es comuns!<\/p>\n<p>Da mesma forma, <a href=\"http:\/\/books.google.com\/books?id=IKLsWSbCAWQC&amp;printsec=frontcover#v=onepage&amp;q&amp;f=false\">Chuang-Tzu conta uma est\u00f3ria<\/a> usando os personagens de Conf\u00facio e seu disc\u00edpulo Yen Hui na qual Yen Hui busca permiss\u00e3o para viajar para intervir junto ao governante de Wei, que est\u00e1 oprimindo o seu povo, a fim de melhorar a condi\u00e7\u00e3o da comunidade de Wei.<br \/>\nNo conto, Chuang-Tzu nega todos os argumentos que um &#8220;agente de mudan\u00e7a&#8221; americano poderia levantar para justificar a interven\u00e7\u00e3o e, inicialmente, ao inv\u00e9s disso, recomenda o &#8220;jejum da mente\u201d. Em vez de tentar resumir esta hist\u00f3ria excelente de Chuang-Tzu, eu vou simplesmente recomend\u00e1-la como uma par\u00e1bola, especialmente para aqueles envolvidos em transforma\u00e7\u00e3o social \u2013 um objetivo com o qual eu tenho grande simpatia (Eu quero dizer literalmente isto: a \u2018<i>sympathia<\/i>\u2019 grega significa <i>uma comunidade de sentimento<\/i>).<\/p>\n<p><b>Considera\u00e7\u00f5es finais&#8230;<br \/>\n<\/b><b><\/b><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/phenomenologyblog.com\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Lotus.jpg\" rel='prettyPhoto[gallery1]'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1152\" alt=\"Lotus\" src=\"https:\/\/phenomenologyblog.com\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Lotus-300x225.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/phenomenologyblog.com\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Lotus-300x225.jpg 300w, https:\/\/phenomenologyblog.com\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Lotus.jpg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Os esbo\u00e7os acima n\u00e3o s\u00e3o exposi\u00e7\u00f5es remotamente adequadas das tradi\u00e7\u00f5es que eu referenciei \u2013 em vez disso, eles s\u00e3o concebidos como aperitivos cujo prop\u00f3sito \u00e9 transmitir sabores diferentes de uma s\u00e9rie de ideais culturais, nenhum dos quais \u00e9 consistente com o individualismo estrito.<\/p>\n<p>Isto n\u00e3o \u00e9 para rejeitar o individualismo, nem \u00e9 para dizer que n\u00e3o h\u00e1 nenhum individualismo nas culturas variadas que eu mencionei. Muito pelo contr\u00e1rio \u2013 h\u00e1, sem d\u00favida, exemplos profundos de individualismo \u2013 ou, no m\u00ednimo, exemplos evidentes de individua\u00e7\u00e3o \u2013 dentro de movimentos tais como a Primavera \u00c1rabe e os movimentos pr\u00f3-democracia na China. O fen\u00f4meno da individua\u00e7\u00e3o \u00e9 a propriedade da n\u00e3o-cultura \u2013 embora a valoriza\u00e7\u00e3o exclusiva do individualismo seja, sem d\u00favida, mais pronunciado em determinados momentos e lugares.<\/p>\n<p>Mas a individua\u00e7\u00e3o \u00e9 equivalente ao &#8220;individualismo americano&#8221;? Em seu estudo de Jung e Kohut, <a href=\"http:\/\/books.google.com\/books?id=W4i4gzg2HPAC&amp;dq=individuation&amp;source=gbs_navlinks_s\">Mario Jacoby<\/a> escreve: &#8220;para Jung a quest\u00e3o do significado est\u00e1 claramente conectada com a auto-realiza\u00e7\u00e3o em si mesma atrav\u00e9s do processo de individua\u00e7\u00e3o. [Jung escreve:] \u2018Em \u00faltima an\u00e1lise, toda vida \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o \/compreens\u00e3o de um todo&#8230; e a realiza\u00e7\u00e3o de (disso), unicamente, promove o sentido \/significado da vida.\u2019&#8221;<\/p>\n<p>Enquadrar a realiza\u00e7\u00e3o como uma &#8220;realiza\u00e7\u00e3o\/compreens\u00e3o de um todo&#8221; de uma pessoa individual deixa a porta aberta para os m\u00faltiplos caminhos nos quais a &#8220;totalidade&#8221; pode ser experienciada, e pareceria permitir uma s\u00e9rie de varia\u00e7\u00f5es culturais al\u00e9m daquelas que podem estar mais perto de casa. Isto \u00e9 particularmente importante em um tempo quando ser um &#8220;cidad\u00e3o do mundo&#8221; (<i>kosmopolit\u00eas<\/i> \u2013 uma express\u00e3o que teria sido cunhada por <a href=\"http:\/\/penelope.uchicago.edu\/~grout\/encyclopaedia_romana\/greece\/hetairai\/diogenes.html\">Di\u00f3genes, o C\u00ednico<\/a>) requer que a pessoa procure compreender as motiva\u00e7\u00f5es variadas inspirando a a\u00e7\u00e3o social globalmente, de Nova York ao Cairo \u00e0 Moscou: nenhuma das mobiliza\u00e7\u00f5es coletivas que estamos testemunhando s\u00e3o monol\u00edticas, nenhuma delas s\u00e3o id\u00eanticas, e ainda como a marca do nosso tempo, elas n\u00e3o demandam urgentemente a nossa aten\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Credits<\/strong><\/p>\n<p>Thanks to the friends who translated this piece, who preferred to do so anonymously.<\/p>\n<p>Brikis photo credit: <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/58289610@N00\/4155906117\/\">oranges and lemons<\/a> via <a href=\"http:\/\/photopin.com\">photo pin<\/a> <a href=\"http:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc-nd\/2.0\/\">cc<\/a><\/p>\n<p>Martin Buber photo credit: <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/speakingoffaith\/8467442093\/\">On Being<\/a> via <a href=\"http:\/\/photopin.com\">photopin<\/a> <a href=\"http:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc-sa\/2.0\/\">cc<\/a><\/p>\n<p>Cupola calligraphy photo credit: <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/beggs\/6290932956\/\">beggs<\/a> via <a href=\"http:\/\/photopin.com\">photopin<\/a> <a href=\"http:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by\/2.0\/\">cc<\/a><\/p>\n<p>Lotus photo credit: <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/anushruti\/1999719150\/\">Anushruti RK<\/a> via <a href=\"http:\/\/photopin.com\">photopin<\/a> <a href=\"http:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc-nd\/2.0\/\">cc<\/a><\/p>\n<span class=\"fb_share\"><fb:like href=\"https:\/\/phenomenologyblog.com\/?p=1142\" layout=\"button_count\"><\/fb:like><\/span>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>I&#8217;m happy to expand the linguistic diversity of our blog with this post of mine in Portuguese, which I offer with deep gratitude to the colleagues who volunteered to translate it: Eu ensino uma introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica para estudantes de doutorado que dura um ano. 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